Daniel Leite PortellaPreparador Físico das categorias de base de futebol - S. C. Corinthians Paulista
UniFMU - Centro Universitário UniFMU 
Se pararmos para observar, poderemos indagar se a criança quando nasce já não está inserida em uma competição, a competição da vida, e com o decorrer só há o acúmulo de mais competições. Segundo DE ROSE (1992), competir não é uma coisa negativa como alguns pensam, sempre que há competição, constrói - se a imagem da vitória para uns e derrota para outros e o derrotado fica, geralmente, arrasado, mas, o autor afirma que o objetivo da competição é atingir o seu melhor resultado e nem sempre esse melhor resultado significa a vitória.. Os pais podem ter uma importância muito grande na qualidade das experiências competitivas de seu filho (BARBANTI 1992), essa qualidade está ligada ao tratamento que o pai confere ao seu filho quando ele ganha ou quando ele perde. Baseado em COZAC (2001) podemos dizer que o filho, em muitos casos, é uma "extensão narcísica" dos pais e este fato pode gerar muitas desavenças dentro de casa como comparações entre um e outro, tanto no caso do sucesso como no caso do fracasso.
LA TORRE (2001) sugere que pressões impostas a crianças, seja ela por qualquer motivo, pode dar origem ao chamado "burnout", que é a desistência da vida esportiva pelo atleta-criança.
Porém, se falamos da pressão que os pais exercem sobre os filhos, podemos imaginar que esse rendimento pode ser afetado por essa possível pressão dos pais. Para analisarmos melhor esse problema da falta de incentivo e o problema da possível pressão dos pais podemos citar LATORRE (2001) que aponta algumas classificações de pais e suas características em relação a vida competitiva dos filhos:
- Os desinteressados - pais que costumam se ausentar das competições do filho ou por desinteresse ou porque tem algo "mais importante" para fazer.
- Os pais "úteis" - incentivam a participação dos filhos nas competições de forma positiva .
- Os excessivamente críticos - sempre criticam o filho nunca estando satisfeito com seu desempenho.
- Os vociferantes - ficam alterados durante as competições, gritam, gesticulam e chegam as vezes a ficar agressivos.
- Os "técnicos" - têm a impressão de serem os donos do time dão instruções aos atletas passando até por cima das instruções do técnico.
- Os superprotetores - têm medo de ver seus filhos em competições por inúmeras razões e insegurança, isso pode ser transmitido para os filhos.
Como afirmou BARBANTI (1992), para esses pais críticos, vociferantes e técnicos; as crianças são vistas como adultos em miniatura, pois, a pressão sofrida pela criança é equivalente a de um adulto. Segundo MEDINA (2000), essa cobrança de resultados nada mais é do que um reflexo da cobrança exercida na categoria principal onde os atletas já são adultos.
MACHADO (1997), afirma que segundo pesquisas feitas por ele entre pais e filhos- atletas, foi constatado que um atleta pode sentir-se incomodado com a presença dos pais na torcida. Ele ainda coloca que esse incomodo gerado, tem algumas explicações na literatura como; as atitudes exageradas dos pais na torcida; a relação entre eles, pais e filhos, ser conturbada dentro de casa por algum motivo não necessariamente ligado ao fato da criança ser atleta; algum trauma de infância que seja projetado no pai ou na mãe e o próprio silêncio dos pais durante a competição.
OLIVEIRA (1994), constata uma conseqüência citada anteriormente por MACHADO (1997): o silêncio dos pais. Esse silêncio pode demonstrar desinteresse dos pais sobre o filho e sua atividade.
A idade da criança também interfere quando se fala de influência dos pais. Em alguns países, a idade para iniciação de uma criança à competição chega a ser de três anos (nos Estados Unidos) dependendo da modalidade. Na maior parte dos países industrializados essa idade é entre seis e sete anos. Entretanto há estudos dizendo que a criança até doze ou treze anos é um reflexo do meio em que está inserido (PHILIPPI, 1992), e o meio de maior influência nessa idade é o meio familiar onde o alicerce são os pais. Portanto, os pais podem exercer uma influência mais forte sobre a criança e quem sabe inserir na criança o pensamento que abordamos anteriormente sobre o melhor resultado nem sempre ser a vitória ou aquela política de resultados e vitórias.
Ao pensarmos na auto-estima da criança com relação á vitória ou derrota, podemos ver o que decorre BECKER (2001) vencer um adversário demasiadamente fraco não aumenta a auto-estima do vencedor, porém, o perdedor fica humilhado e sua auto-estima é reduzida.
Um estudo realizado por SIMÕES et al (1999), faz uma correlação sobre uma outra variável nessa relação pais e filho - atleta: o sexo do filho. A mãe não exerce influência significativa sobre o filho ou a filha; em compensação o pai exerce grande influência sobre o filho e muito menos sobre a filha, mas mantém um grau de exigência de moderado para alto.
Sempre que falamos dessas relações pais e filhos-atletas, não podemos esquecer de fazermos pontes com as transformações que houveram na família, a evolução dessa relação intrafamiliar, a formação cultural dessa família e outros pontos que são influenciadores diretos no rendimento e comportamento do pequeno atleta diante da pressão imposta de uma forma ou de outra pelos pais.