“O treinador deve respeitar sempre a criança, não pode transformá-la em bola do jogo, dos seus desejos e fantasias de sucesso. Não deverá nunca sobrecarregar o atleta, e sim construí-lo progressivamente. Deve preocupar-se tanto quanto possível que o praticante estabeleça amizade com os colegas de sua idade”. (Meinberg, 1993)
- A prática desportiva de crianças e jovens deve:
1. Contribuir para o desenvolvimento global e harmonioso dos jovens, nas facetas física, intelectual, emocional e social, assim como para a sua formação cívica;
2. Garantir a saúde e a segurança das atividades desenvolvidas;
3. Propiciar atividades de desenvolvimento pessoal e social, através da integração num grupo e do desenvolvimento da sua auto-estima;
4. Constituir um complemento da sua atividade escolar e não a sua ocupação ou centro de interesse mais importante ou muito menos exclusivo;
5. Decorrer com uma supervisão qualificada, exigindo-se, para tal, uma adequada formação dos seus responsáveis, com especial destaque para seus treinadores;
6. Proporcionar a todas as crianças e jovens oportunidades de participar, de forma regular, em níveis de prática (treino e competição) compatíveis com suas capacidades e grau de maturidade;
7. Proporcionar oportunidades para que as crianças e jovens possam viver experiências agradáveis, fazer novos amigos, aprender novas habilidades, adquirir hábitos de autodisciplina, persistência e aprender a cooperar e a competir com lealdade;
8. Garantir a todas as crianças e jovens a oportunidade de se aperfeiçoarem, conferindo ao mesmo tempo, àqueles que manifestem aptidões fora do comum, a possibilidade de poderem prosseguir, se o desejarem, para níveis mais elevados do rendimento desportivo;
9. Distinguirem-se substancialmente da prática desportiva dos adultos, adotando modelos de preparação e competição próprios, cujos objetivos e características dominantes sejam construídos a partir dos interesses e necessidades dos praticantes, evitando o predomínio dos interesses dos adultos (treinadores e pais) ou da modalidade;
10. Evitar confrontar as crianças e jovens com uma prática muito formal, intensiva e vincadamente competitiva, visando a construção de resultados em curto prazo, o que conduz, normalmente, a perturbações do desenvolvimento, à diminuição da longevidade das carreiras desportivas e ao aumento da tendência para o abandono precoce;
11. Privilegiar a criação do gosto pela prática, a aprendizagem correta e consistente das técnicas, o enriquecimento do “vocabulário” motor e do desenvolvimento geral das capacidades motoras, por oposição a valorização excessiva da vitória e do resultado, que conduzem facilmente ao treino intensivo;
12. Evitar apresentar a vitória e as medalhas como as únicas referências de sucesso, devendo, pelo contrário, encorajar e elogiar o esforço efetuado e o progresso individual conseguido por cada praticante, independentemente dos resultados alcançados;
13. Orientar as expectativas dos praticantes num sentido realista, obstando ao aparecimento de perspectivas exageradas para o seu desenvolvimento futuro, moderando, em particular, o aparecimento de “estrelas” prematuras;
14. Contrariar a tendência de pais e treinadores para se “projetarem” nos seus filhos e praticantes, fazendo da vitória uma questão de afirmação pessoal, exercendo sobre eles uma excessiva pressão, obrigando-os a lidar com exigências exageradas e muitas vezes irrealistas;
15. Decorrer em ambientes adequados, que garantam o caráter agradável da prática, controlando as situações que provocam, desconforto, frustração, desencorajamento e reações de oposição, provocadas por uma exigência excessiva, pela definição de objetivos irrealistas, por um relacionamento hostil, por uma intervenção parcial, ou por uma distribuição desequilibrada da atenção dada aos diferentes praticantes;
16. Manter a natural ansiedade da prática desportiva dentro da “zona de conforto” dos praticantes, reduzindo e relativizando as suas principais fontes, como sejam, a importância atribuída à participação na competição e o grau de incerteza do respectivo resultado;
17. Desenvolver atitudes saudáveis perante a vitória e a derrota, garantindo que estas são encaradas como “faces distintas da mesma moeda”, fundamentalmente através do recurso a duas mensagens: “ganhar não é tudo nem a única coisa” e “perder não constitui obrigatoriamente um fracasso”;
18. Estruturar o ensino, o treino e a competição como base numa prática diversificada, proporcionando uma ampla variedade de experiências motoras, psicológicas e sociais, como forma de garantir a indispensável preparação geral e multilateral;
19. Atender a que experiências desportivas intensivas, quando efetuadas demasiado cedo, podem conduzir a um desenvolvimento físico desequilibrado e afetar a saúde da criança e do jovem, assim como perturbar a sua evolução desportiva;
20. Ter presente que os sucessos excepcionais nestas idades não são garantia de sucesso a longo prazo nem que, portanto, essas crianças e jovens venham a ser campeões na idade adulta.
Fonte: http://www.juvenil.com.br/tenis/index.php?modulo=escola&script=escola.php
Referência: Jovens no Desporto – Um Pódio para Todos, Portugal, 1999.
FONTE : INSTITUTO DO DESPORTO DE PORTUGAL - http://www.idesporto.pt/
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